quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Delírios de leitora




No livro Uma história da leitura, Alberto Manguel cita a seguinte frase: “para os leitores, deve haver um milhão de autobiografias, pois parece que encontram, livro após livro, os traços de suas vidas”.
Passei os últimos dias lendo e relendo A vida como ela é, de Nelson Rodrigues. Lembrei da frase mencionada por Manguel e pensei: batata!
Não, eu não sou uma esposa adúltera, uma ninfeta diabólica, a dama da lotação (ainda que utilize bastante tal meio de transporte), tão pouco uma virgem com tendências suicidas. No entanto, os sentimentos que movem essas personagens são assustadoramente absurdos e familiares na mesma medida.
Tão absurdos e tão familiares que invadiram meu sonho noite passada. Sonhei que caminhava pelo centro da cidade, quando entrei em uma igreja para assistir a um casamento. Depois do atraso habitual, a noiva chegou na cerimônia, sem a menor cerimônia, agarrada a um sujeito sem camisa, que bebia champanhe no bico. Na mesma hora, um grito ecoou na igreja: CRETINA!
Acordei rindo do meu sonho delirante causado pela overdose de A vida como ela é.
Enquanto registro o fato, penso que tenho que escolher o próximo livro que vai me acompanhar por horas, momentos ou dias. Que sua presença seja marcante. Que ele se inscreva no íntimo – a ponto de invadir os meus sonhos e provocar novos delírios.

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